Os anos de 1954 e 1955 foram de grande agitação política na cidade de São Paulo. O prefeito Jânio Quadros havia renunciado ao seu mandato no mês de janeiro para candidatar-se ao governo do Estado e, para surpresa geral, seu vice, Porfírio da Paz, também renunciou para concorrer à vice-governança.
Constitucionalmente, nessas circunstâncias, quem deveria assumir o cargo de prefeito era o presidente da Câmara Municipal, cujo mandato se encerrava também em janeiro de 1955. Dois candidatos disputaram o cargo, os vereadores William Salem e João Sampaio. O eleito, além de presidir a egrégia Câmara Municipal paulistana também seria empossado temporariamente no cargo de prefeito até a realização de uma eleição suplementar para preenchimento deste último cargo.
Nessa eleição para a presidência da Câmara Municipal deu-se um dos fatos mais inusitados e um dos exemplos mais raros na história política do Brasil. O próprio eleito, William Salem, conta os detalhes:
De ascendência libanesa, William Salem foi eleito três vezes presidente da Câmara Municipal de São Paulo, por ele presidida, também, em três oportunidades e, além disso, exerceu um mandato de deputado federal e governou a cidade de São Paulo durante cerca de 5 meses, em 1955, na vacância causada pela renúncia de Jânio Quadros. Salem faleceu aos 88 anos de idade, em junho de 2010.





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