É verdade, pouca gente registrou com tamanho realismo e poesia a São Paulo bucólica, dos carvoeiros, dos lambe-lambes, dos bondes e dos lampiões a gás de 100 anos atrás, como a artista plástica e compositora Maria Elisa Capriotti Bérgami – Zica Bérgami. Além de compositora, também era desenhista primitiva apresentada na sua primeira exposição individual por Sérgio Milliet participando posteriormente de diversas exposições, dentre elas, o “X Salão Paulista de Arte Moderna” (1960), a “Primeira Mostra Contemporânea Brasileira – EXPOFAIR – Lisboa – Portugal” (1985), e também conquistou a Grande Medalha de Prata no “Centre International D’Art Contemporain – Paris – França” (1984), além da Grande Medalha de Ouro no “Encontro de Artes Plásticas de Atibaia.
Nascida em 1913, filha de imigrantes italianos, deixou registrado um rico depoimento ao programa “Memória” na rádio Bandeirantes, em 2001. Tinha, então, 87 anos de idade e uma memória espantosa:
Artista versátil, além de desenhos e telas dona Zica também publicou os livros “Filhos de Artistas Imigrantes” e “Aonde estão os Pirilampos?” além de cerca de 30 músicas gravadas por artistas diversos, a mais famosa, sem dúvida, Lampião de Gás que tem até versão em japonês na voz de Yoko Abe. Ela faleceu em 2011, aos 98 anos de idade. Certamente o lampião que se apagou aqui, no mesmo instante acendeu lá em cima.






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