Até Santos Dumont declarou-se admirador de Anésia Pinheiro

Dezoito de maio de 1922, praia do Gonzaga, em Santos, quinze para o meio dia. Os banhistas tiveram a atenção despertada para um pequeno avião que fazia acrobacias sobre eles. Avião era o que havia de mais raro naqueles tempos. 

Depois de executar várias manobras, arrancando aplausos e exclamações, o avião pousou na própria praia do Gonzaga sendo imediatamente cercado por dezenas de curiosos que se surpreenderam quando viram que no comando não estava um espadaúdo aviador e, sim, uma jovem, pouco mais que adolescente, bonita e elegante no traje típico dos voadores da época, isto é, bota, culote, casaco de couro até os joelhos e o indefectível boné de abas para proteção também das orelhas, além dos óculos contra o vento. 

Era Anésia Pinheiro que acabava de realizar mais uma proeza quebrando vários recordes de uma só vez: primeira mulher que voou de uma cidade a outra, primeira mulher que cruzou de avião a serra do mar e recorde feminino de altura na América do Sul, 4 mil 124 metros, quase 13 mil pés. 

Curiosa é a forma como a aviação entrou na vida de Anésia Pinheiro, cujo brevê era o de número 77 expedido em 1922, o segundo feminino do Brasil, o primeiro, obtido algumas horas antes, tinha sido o de Thereza Di Marzo:

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Milton Parron

Milton Parron começou a carreira em 1960 e testemunhou os grandes acontecimentos policiais, esportivos, políticos e culturais em São Paulo e no Brasil. É um dos maiores repórteres da história do rádio brasileiro.

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